photografia


n t m

quinta-feira, 8 dezembro 2005

n t m

- os meus voos são muito desajeitados.
- todo o voo honesto o é.


vinte e quatro

quinta-feira, 8 dezembro 2005



oito de dezembro

Eu fumaria os teus cigarros em frente ao espelho. Tu escreverias os meus poemas sobre o joelho. E vestiríamos de manhã as roupas um do outro, como se elas nos servissem.

jorge cruz.roupas.

oito de dezembro.


t

sexta-feira, 2 dezembro 2005

t

quero o teu nome escrito nas marés
nesta cidade onde no sítio mais absurdo
num sentido proibido ou num semáforo
todos os poentes me dizem quem tu és.

manuel alegre.


[atira-se uma pedra]

quinta-feira, 30 junho 2005

cdbanho.jpg

atira-se uma pedra, a primeira. depois ficamos dois à escuta. como quem agarra um braço e depois outro, para não se ir embora. todos o fazemos. suspensa, escuto, também, essas improváveis ressonâncias. agarra-se, depois, uma perna e outra para não deixar ninguém ir embora. a pedra, a primeira, atira-se e a noite dilata entre o meu corpo e o teu. acaso não é que seja eu pedra.

[margarida]


tempestade

sábado, 25 junho 2005


tempestade

durante noites tenho lutado tempestades. nos meus dias, era eu a tempestade.


sem título

quinta-feira, 9 junho 2005

m

and things just get further
and further apart
the head from the hands
and the hands from the heart.

[lhasa de sela + my name]

[margarida]


aráñame con cariño

domingo, 5 junho 2005

margarida

Aráñame con cariño, hazme daño sin querer, mi corazón está crudo, nena, y mis manos también. Protégeme, soy
un niño grande con las tripas a flor de piel. Cometí muchos errores pero nunca llegué a aprender. Pueden caerse
las estrellas, nena, puede apagarse el sol, pero una palabra tuya bastará para sanar mi amor, pero una palabra tuya
bastará.

fernando alfaro.


luz

quinta-feira, 26 maio 2005

luz 01

luz 02

luz 03

e neste silêncio
há sempre um voltar
do sonho
ao nosso lugar

e a estrela
que vagueia no mar
anseia
o céu .

e só quero estar
sem mais
depois do regresso...

sim,
só quero estar
sem mais
depois do regresso...

joão loureiro / ban.


diamonds, candy, pills

quinta-feira, 17 fevereiro 2005

bmyboy

slide slide. slippity slide. you can hip hop, and don’t stop.
I’ll never be on my knees.

[handsome boy modeling school + I’ve Been Thinking *Cat Power]


eu nada

quinta-feira, 23 dezembro 2004

eu nada

de pé. a mão dissipa o sono. estou de pé em volta da voz. preparo-me. o pé descobre o alfinete. magoo-me. o quarto ouve o grito. eu nada.

[margarida]


oito de dezembro

quarta-feira, 8 dezembro 2004


oito de dezembro


louder, louder...

sábado, 9 outubro 2004

violentamente

invadir o lugar que circunda a manha. aqui dentro. enquanto tudo para. como nos primeiros retratos. chove e eu deito-me e há pó em cima da almofada. e há paredes que a certas horas são mais altas. como o tempo nas palavras que trovejam. chove. aqui dentro. tempo houve em que eu era atenta. aqui dentro.

(fotografia gentil e amavelmente revelada por violentamente *)

[banda sonora | snow patrol + run (t in the park)]

[margarida]


setembro

quarta-feira, 1 setembro 2004

setembro


muito depois dos prédios. para lá da hora em que as pessoas são mais sozinhas. como amanhã. muito depois de onde os prédios se veem. alguém vai ter a certeza de que vai chorar. alguma bicicleta tombará e algum cachecol ficará preso nalgum ramo. alguém saberá o que fazer com o silêncio dos prédios. ao longe. como amanha. para lá do sobe-desce do elevador triste. alguém fará anos, apesar de alguém morrer. e alguém cantará, sem saber. alguém quer nascer. amanha. como na hora em que as pessoas são mais sozinhas. faz frio. ou então só alguém o sente. o mais estranho é ninguém se entender. alguém espera à janela. por alguém que a espreite e espere por ela.

[margarida]


por dentro

sexta-feira, 20 agosto 2004

por dentro

está frio. ou então sou eu. alimento, por dentro. irremediavelmente sórdida. e com frio. no avesso. cabível na hora subterrânea da vida. por dentro. empalecem todas as penúltimas sílabas. e só as pálpebras secam. uma a uma. rápidamente desnecessárias.

[margarida]


and

domingo, 15 agosto 2004

and

i wanted to love and satisfy myself like my most beautiful lover.


eyes

sexta-feira, 30 julho 2004

vacacion in your eyes


in your eyes, i take my vacations

[banda sonora | ilya + soleil soleil]

[margarida]


comum

terça-feira, 27 julho 2004

dialogue

algo em comum. uma e outra, sem sequer saber ou querer. como o frio quando dói por entre os dentes. quando o como. sem querer, o tempo. temos algo em comum. como o irrequieto movimento das pálpebras. como dormir, sem querer. como o medo das coisas grandes e dos contrários. gosto dos contrários do que digo que escrevo que gosto. porque assim não se sabe, sem querer, do que sou. algo em comum como não querer. sem saber do tempo. sem ter frio. muitas vezes, sem mexer as pálpebras.

[banda sonora | emily sparks + downtown cafe]

[margarida]


a lápis

sexta-feira, 18 junho 2004

bliss

a madrugada é maior que eu. desordeiramente supera-me. supera os seis ou sete andares da minha arquitectónica ansiedade. põem-se enormes, soberbas, as madrugadas. sento-me aqui, na banheira. preferindo a fria solidão dos azuleijos. como se fosse o último dia do ano. escrevo que um dia não existiu um dia. a lápis.

[ banda sonora: ilya + soleil soleil ]

[margarida]


feed the stars

quarta-feira, 2 junho 2004

feed the stars

não é impossível decifrar o enigma dos dias. destapar o teu ombro e, na sua curva, a infindável haste da ternura. interrogo as horas na resina do teu peito. com as mãos dentro de água interrogo a ausência das tuas mãos. desvelo o teu rosto minuto a minuto. há o insuportável mover dos ponteiros. os relógios ensurdecedores e eu lembro-me do dedilhado da guitarra do teu peito. Da abóbada insonora do nosso beijo. a minha janela e a noite longe de ti e a solidão dos aeroportos. aprender, antes de tudo, a respirar, porque a noite tomará a cor da romã. e não será mais noite. porque estarei contigo.

[margarida]


mas dá-me a mão

sábado, 29 maio 2004

be still (keep still)

um dia disse-lhe "eu não tenho medo. não tenho. mas dá-me a mão." durante todo o dia não encontrei os olhos da minha mãe. nem as mãos.

[ banda sonora | blonde redhead + messenger]

[margarida]


epitimologia iii

quinta-feira, 15 abril 2004

fabric

contesto a estrada e qualquer razão para partir. contesto a chuva e o grito e a necessidade de existir.

[ banda sonora | mão morta + primavera de destroços]

[margarida]


epitimologia ii

sexta-feira, 2 abril 2004

epitimologia (3)

é inutil ter um nome. ter dor de garganta. ter uma cidade a chover. o que eu queria dizer era bem diferente. como às vezes a minha presença me fica como um prédio a ruir na avenida da liberdade. com as minhas manias e a enventual enxaqueca. e o que eu queria ser era bem diferente.

[ banda sonora | yann tiersen + ler jours tristes ]

[margarida]


epitimologia i

quarta-feira, 31 março 2004

epitimologia

eu grito nas ruas porque quero incomodar. e um erro a mais, às vezes, faz alguém olhar.

[pilar]

[margarida]


epitimologia

segunda-feira, 29 março 2004

epitimologia


A nudez da palavra que te despe.
Que treme, esquiva.
Com os olhos dela te quero ver,
que te não vejo.
Boca na boca através de que boca
posso eu abrir-te e ver-te?
É meu receio que escreve e não o gosto
do sol de ver-te?
Todo o espaço dou ao espelho vivo
e do vazio te escuto.
Silêncio de vertigem, pausa, côncavo
de onde nasces, morres, brilhas, branca?
És palavra ou és corpo unido em nada?
É de mim que nasces ou do mundo solta?
Amorosa confusão, te perco e te acho,
à beira de nasceres tua boca toco
e o beijo é já perder-te.

António Ramos Rosa.


algodão

sexta-feira, 26 março 2004

sweet song

a manha ensina-me a dançar pelo algodão enrugado, inventando a pele, e a esperar sem descanso que escorra pelos dedos, ainda, o resto do silêncio que a noite veio plantar, pálpebra a pálbera. tenho um par de mãos. impálpaveis e imponderáveis. percebo-as distintas, cada qual com seus dedos, e ainda assim, incapazes de construir o gesto. lá fora, a respiração improvavel das coisas, de todas as coisas, lembra-me que nada está quieto. nada é parado a olhar a indisciplina das minhas mãos. amanhecerá, lá fora, mais um pouco, pálpebra a pálpebra, um pouco mais.

eu sou tua

[banda sonora: pilar + o tempo parou]

[margarida]


manhãs (de hoje não)

quinta-feira, 25 março 2004

mornings

hoje: não.
hoje: não.

tempos houve
em que quis desaparecer
como água
dentro de água.

hoje: não.
hoje: não

desejo apenas que
o mundo esteja
em todos os instantes.

que as palavras, suspensas,
mergulhem nos dedos
onde a noite mora.

que ao deitar-me
esses mesmos dedos de silêncio
habitem os meus gestos.

hoje: não
hoje: não

dói-me a cabeça.
desejo apenas que os meus olhos,
também eles,
de qualquer maneira,
amanheçam.

hoje: não
hoje: não

(margarida)

(nova canção do cais de veludo)


lo-fi

domingo, 21 março 2004

lo-fi

doi-me a garganta. mas deve ser natural. e faz-me esquecer o medo das alturas. o medo de ficar fechada no elevador. o medo de morrer. o medo de engolir. e há o mar, lembro-me eu – na áspera praia rinofaríngea. mas não quero fazer, no fundo do copo, uma única gota de tempestade. será natural como o sorriso trapezista do (meu) amor. como se nem fosse preciso rede antes do perigo, porque os seus gestos são precisos. o (meu) amor tem o seu arame nestes olhares fixos. olho-o para lá do arame estendido e do equilíbrio precário das minhas mãos. mas olho-o e nos meus olhos há um peixe permiavel ao amor. que te observa, do seu olho grande de peixe, arregalado.

[margarida]


a chuva e o andar

sábado, 13 março 2004

la lluvia

chamo-me margarida e explicaram-me, quando era pequena, que foi o meu irmão que escolheu o meu nome. nesta altura do ano cai-me, sempre, a pele da ponta dos dedos das mãos. chove, muitas vezes, na rua. não tenho tempo, mas principalmente habilidade, para guarda-chuvas. entro no meu dia-a-dia com a pele dos dedos enrugada de limpar a chuva da cara. gosto de andar na rua a olhar para os meus pés. estudar o balanço. pousar-me no equilíbrio de um passo. arriscar o salto nas poças. fechar as mãos dentro dos punhos da camisa. guardar o polegar dentro da mão. guardar as pontas do cabelo nas voltas do cachecol. limpar, com as mãos, a chuva da cara. cantarolar baixinho e ouvir o eco nos corredores, elevadores, casas-de-banho. sorrio no sucumbir do som. às vezes as árvores são obstáculos, como as portas e as paragens de autocarro. às vezes as nuvens fazem sombras enormes no chão. e depois vem a noite. eu escrevo tolices porque penso tolices. mudo por vezes de tolice num instante, e as pessoas ficam tão confusas quanto eu.

[margarida]


carnival

sábado, 17 janeiro 2004

carnival

There is love
There is love
To be found
In the worst way
In the worst way
In the worst way

It's the buzz
It's the buzz
It's the buzz
It's the buzz
It's the buzz
It's the buzz
I wish i was
It's the buzz
It's the buzz
It's the most fuzz

From a little shell at the bottom of the sea
With the earth and the moon and the sun above
But the world fell down with some people still around

There is love
There is love
To be found
With the gods all gone and the souls making sound
In the worst way
In the worst way
In the worst way

It's the buzz
It's the buzz
It's the buzz
It's the buzz
It's the buzz
I wish i was
It's the buzz
It's the buzz
It's the most fuzz

From a little shell at the bottom of the sea
With the earth and the moon and sun around me

There is love
There is love
There is love

It's the buzz
It's the buzz
It's the buzz
It's the buzz
It's the buzz
I wish i was
It's the buzz
It's the buzz
It's the buzz

[lisa germano + from a shell]


tacteio (tu por mim)

quinta-feira, 18 dezembro 2003

domingo

tacteio muito. estou sempre a cortar-me e a queimar-me. tenho a mania das coisas fechadas. as portas fechadas. as gavetas encaixadas. as canetas tapadas. os livros virados para baixo. o cabelo amarrado. as luzes apagadas. os guardanapos dobrados. os fósforos perfeitamente arrumados e guardados. os fechos dos vestidos corridos. colcheias, botões, tudo encaixado. as janelas tapadas. os pés calçados. o papel dos rebuçados perfeitamente enrolado.

[ banda sonora | azure ray + rise]

[margarida]


22 anos

segunda-feira, 8 dezembro 2003

22

quando era pequena pousei um dedo no aquecedor por curiosidade e queimei-me. aprendi a não por os dedos nas barrinhas brilhantes do aquecedor. aprendi, mais tarde, que as coisas mais importantes estão sempre ao cimo de todas as escadas. aprendi a gostar de coisas pequenas e comecei a reparar que reparava nelas. aprendi que não gostava de muita coisa. aprendi que é importante saber dessas coisas. aprendi que não estava morta mesmo que fingisse estar, à noite na cama, quietinha, a tentar não mexer o peito ao respirar. aprendi a fazer laços num cordão, no eléctrico, com a mão do meu pai sobre as minhas, pequeninas. aprendi que chorar muito não faz com que não se chore mais. aprendi a observar as coisas e as pessoas. aprendi que não consigo ficar quieta. aprendi que me oiço sempre e que em todos os lugares acabo por me querer calar. aprendi que não gosto de bebidas doces. aprendi que importa muito mais o que os outros gostam ou não gostam. aprendi a jogar à bisca do três. aprendi a perguntar porquê e aprendi a estar calada. a maior parte das vezes não estou. aprendi que não cheguei nunca onde queria porque aprendi a desviar-me dos caminhos que queria seguir. aprendi a falhar, mas, sobretudo, aprendi a fazer por falhar antes de falhar sem querer. aprendi, também, que não sei fazer anos. nunca soube. aprendi que se pode encontrar alguém para nós. aprendi que há alguém que fica comigo, porque é para mim.

[margarida]


tic tac

quarta-feira, 19 novembro 2003

vermelho teu

Pedro, lembrando Inês
Em quem pensar, agora, senão em ti? Tu, que me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a manhã da
minha noite. É verdade que te podia dizer: ”Como é mais fácil deixar que as coisas não mudem, sermos
o que sempre fomos, mudarmos apenas dentro de nós próprios? ”Mas ensinaste-me a sermos dois; e a
ser contigo aquilo que sou, até sermos um apenas no amor que nos une, contra a solidão que nos divide.
Mas é isto o amor: ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua voz que abre as fontes de todos os rios,
mesmo esse que mal corria quando por ele passámos, subindo a margem em que descobri o sentido de
irmos contra o tempo, para ganhar o tempo que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor, de chegar
antes de ti para te ver chegar: com a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água fresca que eu bebo,
com esta sede que não passa. Tu: a primavera luminosa da minha expectativa, a mais certa certeza de
que gosto de ti, como gostas de mim, até ao fundo do mundo que me deste.

Nuno Júdice


no teu espelho

sexta-feira, 14 novembro 2003

porta

às vezes tenho espelhos em vez de janelas. às vezes parto os espelhos e abro as janelas. às vezes. não.
muitas vezes pergunto para que servem as janelas e muitas vezes pergunto para que servem os espelhos.
respiro tão bem quando tenho as tuas janelas em vez dos meus espelhos. apago a luz e fecho os olhos. tu
respondes-me sempre. e tu vês-me sempre. o espelho, não.

[margarida]


la verdad

segunda-feira, 10 novembro 2003

la verdad

La base para adquirir una buena voz consiste en una eficaz respiración que facilite la mayor cantidad de
aire con el menor esfuerzo posible, en una inhalación rápida y silenciosa, una regulación efectiva del aire
empleado al exhalar y, finalmente, un mínimo de interferencia con el mecanismo que producen los tonos
en la garganta
.


relvejar

terça-feira, 21 outubro 2003

relvejar

Relvejar: v. intr. cobrir-se de relva; arrelvar-se; reverdescer. (de relva)

[foto: vera marmelo]


idiógino

domingo, 19 outubro 2003

ident

Idiógino: adj. diz-se do vegetal que tem as flores femininas em pés próprios; que não tem estames e os pistilos na mesma flor. (gr. ídios+gyne)


o norte

quinta-feira, 16 outubro 2003

el norte

eu posso gritar. gritar quando tudo está em silêncio. e as crianças levantam-se de noite e vão para as
ruas, e mil pássaros despenham-se contra o frio, e as estrelas abanam por cima de todas as águas, e
os dedos movem-se, furiosos, por todos os tampos de todas as mesas de madeira. e as bocas podem,
de repente, tocar o lume de todas as bocas e as águas frias podem transbordar de todas as banheiras
vazias. e a saliva e os pulsos e as pernas e as costas e os cabelos e a memória. e eu posso gritar. gritar
quando está tudo em silêncio, e eu posso desenhar o teu nome em todas as paredes e em todas as coisas.
-apaixonadamente. em todas as coisas. em todas as coisas. em todas as coisas. em todas as coisas... meu
amor.

[margarida]


cléspsidra

quarta-feira, 15 outubro 2003

clepsidra

aguar: (ág), v. tr. dissolver em água; tornar insípido por excesso de água; regar; pintar com aguada;refl. converter-se em água; fig. malograr-se; desejar ardentemente; sentir crescer água na boca (saliva) à vista de uma goluseima. (de água).


a ton étoile

sexta-feira, 10 outubro 2003

a ton étoile

toujours à l'horizon
des soleils qui s'inclinent
comme on a pas le choix il nous reste le coeur

a ton étoile
a ton étoile
a ton étoile

[banda sonora | noir desir + a ton étoile]


tired #2

quinta-feira, 9 outubro 2003

cansada

hoje voltaram a doer-me as costas. ando sempre com demasiado peso e ando sempre demasiado. às vezes não reparo. uma vez dei conta da minha mão a apertar tanto a tua num determinado momento da música que me cantavas. um outro dia no metro, amarrotei o vestido todo, com o tecido apertado na mão toda fechada. como se tivesse acordado, sacudi a saia e levantei-me para sair. olhei-me pelo reflexo da porta àquela velocidade e pensei no quanto tudo é efémero e rápido e. olhei o vestido pelo reflexo e lá estava o tecido todo amarrotado. senti que ao menos isso era verdadeiro. assim como a verdade da minha mão fechada na tua. assim como a vontade.

[margarida]


algures (num filme francês)

quarta-feira, 8 outubro 2003

tired

quand il me prend dans ses bras. il me parle tout bas, je vois la vie en rose. il me dit des mots d’amour,
des mots de tous les jours, et ca me fait quelque chose. il est entre dans mon coeur. une part de bonheur
dont je connais la cause. c’est lui pour moi. moi pour lui dans la vie, il me l’a dit, l’a jure pour la vie.
Et des que je l’apercois alors je sens en moi mon coeur qui bat. des nuits d’amour a ne plus en finir, un
grand bonheur qui prend sa place des nuis des chagrins, des phases heureux, heureux a en mourir. quand
il me prend dans ses bras il me parle tout bas, je vois la vie en rose. il me dit des mots d’amour, des
mots de tous les jours, et ca me fait quelque chose. il est entre dans mon coeur une part de bonheur dont
je connais la cause. c’est toi pour moi. moi pour toi dans la vie, il me l’a dit, l’a jure pour la vie. et des
que je l’apercois alors je sens en moi mon coeur qui bat.

edith piaf.


outubro

terça-feira, 7 outubro 2003

october

eu deito-me tarde e nem sempre acordo muito cedo. nunca digo boa noite quando entro em casa.
preocupo-me com o meu caminho e com o que me tornarei. gostava de ser uma pessoa bem melhor.
gosto muito de música e faz-me chorar muito muitas vezes. estou sempre a cortar-me em facas ou mesmo
em bocados de papel. gosto de andar descalsa. às vezes paro e penso que estou a andar aos círculos. às
vezes paro e pergunto porquê.

[margarida]


fogo e noite

quarta-feira, 24 setembro 2003

fogo e noite

foi fogo que nos encontrou sozinhos
queimou a noite em volta
presos entre chama à solta
presos feitos para soltar

foi como um sopro estranho,
aconteceu .

és fogo em mim, és noite em mim .


toranja .


fado

terça-feira, 23 setembro 2003

fado

há uma janela no rio. há um monte a tapar . há vento que entra frio . e tu a olhar ...
noite é querer, é poder, é chorar em teus braços.
teus olhos, teus traços. teus lábios, meus passos.
em ti eu acabo
meu fado, é o teu fado, meu fado, é teu fado, meu fado, é o teu fado


toranja .


há palavras que nos beijam

segunda-feira, 22 setembro 2003

há palavras que nos beijam


há palavras que nos beijam
como se tivessem boca,
palavras de amor, de esperança,
de imenso amor, de esperança louca.
palavras nuas que beijas
quando a noite perde o rosto,
palavras que se recusam
aos muros do teu desgosto.
de repente coloridas
entre palavras sem cor,
esperadas, inesperadas
como a poesia ou o amor.
(o nome de quem se ama
letra a letra revelado
no mármore distraído,
no papel abandonado)
palavras que nos transportam
aonde a noite é mais forte,
ao silêncio dos amantes.


Alexandre O'Neill



suspiro

domingo, 21 setembro 2003

suspiro


quando a noite cai e os suspiros nos revelam.


ballerina

sábado, 20 setembro 2003

ballerina


forever... you will dance .


kafka .



happy to fall

domingo, 7 setembro 2003

happy to fall

os meus dedos movem-se e as palavra pequeninas escrevem-me... e o papel aceita tudo, mas as minhas mãos não.

[margarida]


as real as your reality

quinta-feira, 26 junho 2003

as_real_as_your_reality-b.jpg

and i cuddle up and closed my eyes. cause i like to sleep and dream. and my dreams are as real as your
reality. i’m not afraid. to leave awake. an actual existence. i look at the white walls. the black guitar.
and blue morning. i writte some lyrics to a song. that may never be eard. and as i see you in my bracelet.
and feel the warmth of my pilow. and blanket.i know... This world can do me no harm. i’m up and sail
the morning. my feet are rested to a path that leads to where you’re not. my memory is beging me to
hold on to the memories of what was. i like to be with my memories among here. and i cuddle up and
closed my eyes. cause i like to sleep and dream. and my dreams are as real as your reality. i’m not afraid.
to leave awake. a natural existence. another black night in my room. there’s no birds singing down in
me. i’m still lazy. and tired. and mad at the world. and i look at the window quite sleepy. and i know...
this world ends soon. i look at the gray road and the people that pass.
and continue to writte some lyrics. to a song that i hope no one will ear. and as i feel you arround my
pulse. and proceed the silence in the cold of the nigh. i know... this world can do me no harm. and i
cuddle up and closed my eyes. cause i like to sleep and dream. and my dreams are as real as your reality.
i’m not afraid. to leave awake. an actual existence.

[old jerusalem + sleep and dream]


desmaquilhar

quinta-feira, 19 junho 2003

desmaquilho-me

todos colocaríamos os nossos receios nos nossos poemas. absolutamente vulgares. sinto-me em casa contigo. desmaquilho-me no reflexo duplicado do sonho. os dedos sujos do vermelho. o lábio a pintar os dedos. sinto falta da tal respiração curta que me dá prazer. perto. tenho as mãos pequenas e gosto do mar dos teus cabelos. da força com que apertas a minha mão. e eu vou contigo. vou contigo. sim.

Queres lutar com quem? Para doer aonde? Para ser o quê? Achas que ninguém vê?(...) Também eu queria parar... chorar... cair... para me levantar, para te puxar! Te fazer sorrir... não voltar a cair! [Toranja]

[banda sonora |toranja + cada vez mais aqui]

[margarida]


desejo

quarta-feira, 18 junho 2003

hold on magnolia

afinal de contas sei de cor onde está cada parede, cada cadeira, cada janela. não dormi de cansaço. e de desejo.

[banda sonora |songs:ohia + hold on magnolia]

[margarida]


encosto-me-te

domingo, 15 junho 2003

sonho-te

a minha letra anda horrível. encosto-a com força contra o papel. chego a pensar em encontrar-te na rua. chego a ver-te quando olho fixamente para o espelho. tenho-me deitado na banheira e dormido horas dentro do escuro e dentro da água quente. penso na minha estúpida mania de expor sempre o meu estúpido ponto de vista. durmo horas. antes abro os cortinados e deixo o medo entrar. depois fecho os cortinados e fecho os olhos. e quando fecho os olhos, os cortinados ardem. os meus olhos ardem com eles. tenho sono e medo e mapas. sei onde encontrar os teus passos. roubo o teu sorriso e coloco-o na minha boca. é nesse momento que uma parte do mundo congela. e eu pego fogo. desequilibro-me. recomponho-me. sonho. sonho. sonho-te.

[banda sonora |nitin sawhney + letting go]

[margarida]


phone

sábado, 14 junho 2003

phone call

i can't wait to get home to your precious phone call. i saved your voice on the answering machine. to listen to before i sleep. [Kristofer Åström]

[margarida]


o cair da noite

sexta-feira, 13 junho 2003

noite tempestade

noite. tempestade. vou dormir. cala-me a saudade. sorri.

tiago torres da silva por pilar.


noite tempestade

sexta-feira, 13 junho 2003

noite tempestade

noite. tempestade. vou dormir. cala-me a saudade. sorri. [pilar - o cair da noite]

[margarida]


uma voz

quarta-feira, 11 junho 2003

a voz tua.jpg

espero um momento na sombra da rua. oiço uma voz que me lembra a tua. [mesa]

[margarida]


lvii

segunda-feira, 19 maio 2003

absurda afeccion

y nuestro placer no sea más que una absurda ficción (afección) voy a quemar (cerrar) este círculo voy a matar este ser de sal ser de sal

aroah.


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