
pelos teus olhos
vejo, em ti
me vejo, te vejo
em mim.
(albano martins)

nós estamos aqui para fugir, nós estamos aqui para chegar
de vez.
(vasco gato)

vem aos meus sonhos,
faz em mim a tua casa.
(josé agostinho baptista).

come with me
there’s something you should see
in the evening sky
put on your warmest coat
we’ll be breathing ghosts
and they don’t want us to see
so they join the clouds
which clot above our heads
but on a clear night,
if you look close enough
you can just make out love
and other planets
we are not alone
and normally
it’s bright enough to see
with a naked eye
i held you close to me
and i felt you smile
and you whispered in my ear
i know it’s there
let’s make our own light
but on a clear night
if you look close enough
you can just make out
love and other planets
we are not alone
and on this clear night
if i hold you close enough
i can feel love.
uma das canções mais bonitas de 2006.

come to me my baby
come to me my love
come to me my darling tonight
'cause i'm here tonight
on my own all night
'cause i'm here tonight
gonna love you so right
you're the best thing in my life.
[archive | come to me 1]

love me, love me
say you do
let me fly away
with you
we're creatures of the wind
wild is the wind
give me more than one caress
to satisfy this hungryness
we're creatures of the wind
wild is the wind
you touch me
i hear the sound of mandolins
you kiss me
with your kiss my life begins
like a leaf clings to a tree
baby please cling to me
we're creatures of the wind
wild is the wind
you touch me
i hear the sound of mandolins
and you kiss me
with your kiss my life begins
love me, love me
say you do
let me fly away
with you .

morrer de amor
ao pé da tua boca
desfalecer
à pele
do sorriso
sufocar
de prazer
com o teu corpo
trocar tudo por ti
se for preciso.
(Maria Teresa Horta)

não, tu não (me) vais fugir. ainda temos muitos cafés por tomar e uma infinidade de histórias para partilhar. Amo-te.


ausência (que quase diz um nome) + quando acabar.
de quem já fui sim tua amargura, de quem me embalou num sono e sei que nunca mais me há-de acordar. (novembro)


i write this sitting in the kitchen sink. that is, my feet are in it; the rest of me is on the draining-board, which i have padded with our dog's blanket and the tea-cosy. i can't say that i am really comfortable, and there is a depressing smell of carbolic soap, but this is the only part of the kitchen where there is any daylight left. and i have found that sitting in a place where you have never sat before can be inspiring - i wrote my very best poem while sitting on the hen-house. though even that isn't a very good poem. i have decided my poetry is so bad that i mustn't write any more of it.
drips from the roof are plopping into the water-butt by the back door. the view through the windows above the sink is excessively drear. beyond the dank garden in the courtyard are the ruined walls on the edge of the moat. beyond the moat, the boggy ploughed fields stretch to the leaden sky. i tell myself that all the rain we have had lately is good for nature, and that at any moment spring will surge on us. i try to see leaves on the trees and the courtyard filled with sunlight. unfortunately, the more my mind's eye sees green and gold, the more drained of all colour does the twilight seem.

de ouro. com(o o) amor.
Amanheceu a minha vida no teu rosto
de uma doçura intensa e tão suave
como se um divino fundo nele brilhasse
Eu era o que nascia soberanamente leve
e encontrava na limpidez o centro do equilíbrio
Só em ti cheguei amanhecendo
na minha madurez Entrei no templo
em que a luz latente era a secreta sombra
Foste sonhada por meus olhos e minhas mãos
por minha pele e por meu sangue
Se o dia tem este fulgor inteiro é porque existes
E é porque existes que se levanta o mundo
em quotidianos prodígios
em que ao fundo brilha o horizonte certo
antónio ramos rosa.

Se guardo algum tesouro não o prendo
porque quero oferecer-te a paz de um sonho aberto
que dure e flua nas tuas veias lentas
e seja um perfume ou um beijo um suspiro solar.
antónio ramos rosa.


não vou jogar, nunca gostei de apostar. não vou jogar, apenas quero amar. a~mar.


três crianças sem dinheiro e sem moral
não ouviram a voz suave que era uma lágrima
e se esqueceram de avisar para todo o mundo
ela talvez tivesse nome: era Fátima.
de repente o vinho virou água
e a ferida não cicatrizou
e o limpo se sujou e no terceiro dia
ninguém ressuscitou...
renato russo.



well you don't fit in, thank god.
but you don't know what you've got,
so you try to be like them, but you're not
and you're almost dead, almost dead, you're almost dead
and I wish I could hang out up in the sky and be the light to shine you home
so I write another fucking song about the darkness
and how you're not alone
you try to find a hole
deep enough to lie in
there's comfort in the cold, I know
when you're almost dead, almost dead, you're almost dead.
.
hoje é dia quatro de agosto. finalmente, meu irmão.
.



indagamos juntos o silêncio. a aurora trespassou as cortinas púrpura e abrasou os sentidos. a estrada despertava-nos como se sibilasse drunk with the only saints i know. do outro segmento do traço contínuo, o jaime, imerso no seu coração monotrópico, vociferava: mais vale só do que alone with everybody. tu porfiavas o calcanhar do vento, enquanto que mil e uma vozes rumorejavam a ausência que quase diz um nome. o meu? não, o da sombra, que na gare, depois do mar e antes da ida, arremeda os dias.




¿te acordarás del día que nos vimos en la filmoteca?
tú ibas a ver "pierrot le fou"
yo¨"tout va bien¨" por vez primera
llovía, y la plaza mayor me pareció otro planeta
el bicho se transforma en mariposa
lo imperdonable pronto o tarde se perdona
ya no serás tan guapo
ni yo soy tan mona
¿te acordarás del dia que nos vimos en la filmoteca?
tenía tanto que olvidar
pero aún llevaba dos coletas
tú me invitate a merendar
y me llevaste en bicicleta
los dias se hacen largos
el desaliento viene y va como una moda
y el tacto de tu mano
aún no se evapora.
christina rosenving.




uma aldeia morreu lentamente, enquanto estava demasiado entretido a crescer. sobejou a solidão e a taciturnidade, apenas refractadas por crivadas de mosquitos minúsculos dispersos entre as flores enternecedoras e a frágil luz nocturna. os laços não se quebram: fortalecem-se por cada lágrima genuína.



houve em tempos uma raiz que um fado apodreceu. veio depois um fado que por ondas de rádios se esqueceu. houve em tempos uma raiz que um fado apodreceu. veio depois um fado que por ondas de rádios se perdeu.
ocaso épico.



quem concebeu o mundo não lia romances.
sonhei, demasiadas vezes, percorrer este corredor contigo. nas minhas costas indagam duas nações estremadas por um rio sórdido, que, em tempos não muito distantes, cevou os meus estios. à minha frente, entre a ténue possibilidade de sentir e as deambulações oblíquas que encaminham ao poema inacabado, subsistem duas portas e três janelas para uma aldeia em avançado estado de dissociação no fulgor frívolo das máquinas do mundo novo. e tu, em toda a parte, escondida atrás da semente.


escuto-te de aqui, agora, e desperto a qualquer coisa.
estremece o vento. sobe a manhã. o calor abre.
sinto corarem-me as faces.
meus olhos conscientes dilatam-se.
o êxtase em mim levanta-se, cresce, avança,
e com um ruído cego de arruaça acentua-se
o giro vivo do volante.
Álvaro de Campos.



nem todas as flores fazem sangrar.
nem todos os medos nos fazem calar.

não sei exactamente o que te dizer. o que te mostrar. mas gosto de me lembrar do teu dia.
mar.te.

que en sus brazos me sienta una niña pequeña
sonria me mienta y se trague mis penas
que sacuda mi cama como un animal
y que por la mañana me de un poco más
que no sea muy malo que no sea muy bueno
y si me hace regalos que no le cuesten dinero
alguien que cuide de mí
que quiera matarme
y se mate por mí .
[christina rosenvinge | alguien que cuide de mí]

gracias a tu cuerpo doy
por haberme esperado
tuve que perderme pa'
llegar hasta tu lado
gracias a tus brazos doy
por haberme alcanzado
tuve que alejarme pa'
llegar hasta tu lado
gracias a tus manos doy
por haberme aguantado
tuve que quemarme
pa'llegar hasta tu lado.
(e que tudo mais vá pro inferno).
[lhasa de sela | pa'llegar a tu lado + gnr | quero que vá pro inferno]

who who who who who
has made my dreams come true
and turned my gray sky blue
why its you you you you you
who who who who who
like amorous lovebirds do
you make my world seem new
'tis 'tis you you you you you.
6ths (katharine whalen) | you you you you you.

as vontades aconchegam-se (como gatos ensonados).
[pequeno aquiles | canção nº 8]

in my head, in my mouth, in my soul.
[sun kil moon | ocean breathes salty]

o nosso amor é verde.
verde que te quero verde.
verde vento. verdes ramos.
o barco sempre no mar
e o cavalo na montanha.
com a sombra na cintura
ela sonha na varanda,
verde carne, tranças verdes,
com olhos de fria prata.
(f. garcía lorca)

Dou-te um nome de água
para que cresças no silêncio.
Invento a alegria
da terra que habito
porque nela moro.
Invento do meu nada
esta pergunta.
(Nesta hora, aqui.)
Descubro esse contrário
que em si mesmo se abre:
ou alegria ou morte.
Silêncio e sol – verdade,
respiração apenas.
Amor, eu sei que vives
num breve país.
Os olhos imagino
e o beijo na cintura,
ó tão delgada.
Se é milagre existires,
teus pés nas minhas palmas.
Ó maravilha, existo
no mundo dos teus olhos.
Ó vida perfumada
cantando devagar.
Enleio-me na clara
dança do teu andar.
Por uma água tão pura
vale a pena viver.
Um teu joelho diz-me
a indizível paz.
António Ramos Rosa.

alguna forma habrá de decirnos adiós (la tuvimos que ver en alguna de esas películas que tanto adorábamos).

No importa la presencia, la soledad no importa,
ni los arcos de niebla que crucé por hallarte.
Amor, el victorioso latido de tu esencia
desde lo más profundo de mi ser se levanta.
aurora reyes.

- os meus voos são muito desajeitados.
- todo o voo honesto o é.

Eu fumaria os teus cigarros em frente ao espelho. Tu escreverias os meus poemas sobre o joelho. E vestiríamos de manhã as roupas um do outro, como se elas nos servissem.
jorge cruz.roupas.
oito de dezembro.

quero o teu nome escrito nas marés
nesta cidade onde no sítio mais absurdo
num sentido proibido ou num semáforo
todos os poentes me dizem quem tu és.
manuel alegre.

La historia es nuestra y la hacen los pueblos.
Salvador Allende
[margarida]

se conheço a minha sorte
sei que me ias detestar
se te dissesse
que sonhei contigo
e acordei sem respirar.
se não fossemos dois homens
gostava de te tocar
pena é, pena é
que não dependas
do que estou a imaginar.
e se não olhares
para me beijar
eu só não sou capaz.
passei as mãos pelos teus músculos
e as pessoas a olhar
mas para fazer,
para fazer de mim um homem
é preciso muito mais.

não imaginas tu que te toco com o olhar. sempre que, em segredo, as minhas mãos imaginam as tuas e os meus olhos trocam a dolorosa escuridão das pálpebras pelo infinito tacto dos sentimentos descobertos.


legião urbana | o livro dos dias
ausente o encanto antes cultivado
percebo o mecanismo indiferente
que teima em resgatar sem confiança
a essência do delito então sagrado
meu coração não quer deixar
meu corpo descansar
e teu desejo inverso é velho amigo
já que o tenho sempre a meu lado
hoje estão aceitas pelo nome
o que perfeito entregas mas é tarde
só daria certo aos dois que tentam
se ainda embriagado pela fome
exactos teu perdão e tua idade
o indulto a ti tomasse como bênção
não esconda tristeza de mim
todos se afastam quando o mundo está errado
quando o que temos é um catálogo de erros
quando precisamos de carinho
força e cuidado
este é o livro das flores
este é o livro do destino
este é o livro de nossos dias
este é o dia de nossos amores.

dói, mas não como uma dor. mais como um estilhaço que ecoa no grito ou embacia no cansaço. procuro dentro de mim, como um bolso, no avesso. esvazio os bolsos e procuro-me. toca um telemovel e eu paro-me, caem os braços, um a um, num cansaço. paro. podias não perguntar a cor do meu cabelo. mas bastava perguntares a cor do meu cabelo. now that i know that i did not know you, now that i know thati did not know you, now that i know that i did not know you then.

[margarida]

é, quase sempre, surdez. É preciso, sim, ter medo até ao fim.
[margarida]
saia de cima das palavras
meta-se nas suas palavras
foram as suas últimas palavras.

atira-se uma pedra, a primeira. depois ficamos dois à escuta. como quem agarra um braço e depois outro, para não se ir embora. todos o fazemos. suspensa, escuto, também, essas improváveis ressonâncias. agarra-se, depois, uma perna e outra para não deixar ninguém ir embora. a pedra, a primeira, atira-se e a noite dilata entre o meu corpo e o teu. acaso não é que seja eu pedra.
[margarida]
Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.
manuel antónio de pina.

durante noites tenho lutado tempestades. nos meus dias, era eu a tempestade.

and things just get further
and further apart
the head from the hands
and the hands from the heart.
[lhasa de sela + my name]
[margarida]

Aráñame con cariño, hazme daño sin querer, mi corazón está crudo, nena, y mis manos también. Protégeme, soy
un niño grande con las tripas a flor de piel. Cometí muchos errores pero nunca llegué a aprender. Pueden caerse
las estrellas, nena, puede apagarse el sol, pero una palabra tuya bastará para sanar mi amor, pero una palabra tuya
bastará.



e neste silêncio
há sempre um voltar
do sonho
ao nosso lugar
e a estrela
que vagueia no mar
anseia
o céu .
e só quero estar
sem mais
depois do regresso...
sim,
só quero estar
sem mais
depois do regresso...
joão loureiro / ban.

There is no love where there is no bramble, there is no love on the hacked-away plateau, and there is no love in the unerring
(...)
So bury me in wood and I will splinter, bury in stone and I will quake, bury me in water and I will geyser, bury me in fire and I'm gonna phoenix, I'm gonna phoenix.

uma rapariga disse-me: não há de que ter medo. as coisas doces e bonitas continuarão aí quando conseguires acordar. eu estava acordado, por isso imaginei que era ela que estava a dormir.
'na terra onde o sol se põe com tons de rubi. até os cães a ladrar me lembram de ti. nada me diz que eu vá sair daqui (...) os dias seguem-se, os dias seguem em mim e nada vem a seguir'.
o fado escorrega-nos pelas veias, enquanto o amor resvala à medida que a cortina se fecha. a~manhã nasce a seguir.
slide slide. slippity slide. you can hip hop, and don’t stop.
I’ll never be on my knees.
[handsome boy modeling school + I’ve Been Thinking *Cat Power]

que noite o silêncio das coisas significa?* ninguém sabe que mata ou morre. ou que jamais houve um silêncio que desse vida. o primeiro eco. as mãos que me vivem. o grito. jamais houve um grito que fosse morte. o som dentro da boca. depois paramos e vemos que estamos parados. em que palavras pensas? jamais saberei que tudo está vazio. que tudo se reduz à respiração. mas por favor, continua. em que palavras pensas?
*Armindo Rodrigues, Beleza Prometida.
[margarida]

de pé. a mão dissipa o sono. estou de pé em volta da voz. preparo-me. o pé descobre o alfinete. magoo-me. o quarto ouve o grito. eu nada.
[margarida]

disfarçamo-nos atrás das palavras que nos esquecemos de dizer um ao outro. por vezes, também nos olvidamos das outras palavras e ficamos subjugados ao silêncio. tudo parece escasso ou fugaz neste outono frio e ermo. resta a última fotografia - retrato fiel da ausência - e a certeza que há sempre um tempo para me reencontrar.

invadir o lugar que circunda a manha. aqui dentro. enquanto tudo para. como nos primeiros retratos. chove e eu deito-me e há pó em cima da almofada. e há paredes que a certas horas são mais altas. como o tempo nas palavras que trovejam. chove. aqui dentro. tempo houve em que eu era atenta. aqui dentro.
(fotografia gentil e amavelmente revelada por violentamente *)
[banda sonora | snow patrol + run (t in the park)]
[margarida]

muito depois dos prédios. para lá da hora em que as pessoas são mais sozinhas. como amanhã. muito depois de onde os prédios se veem. alguém vai ter a certeza de que vai chorar. alguma bicicleta tombará e algum cachecol ficará preso nalgum ramo. alguém saberá o que fazer com o silêncio dos prédios. ao longe. como amanha. para lá do sobe-desce do elevador triste. alguém fará anos, apesar de alguém morrer. e alguém cantará, sem saber. alguém quer nascer. amanha. como na hora em que as pessoas são mais sozinhas. faz frio. ou então só alguém o sente. o mais estranho é ninguém se entender. alguém espera à janela. por alguém que a espreite e espere por ela.
[margarida]

está frio. ou então sou eu. alimento, por dentro. irremediavelmente sórdida. e com frio. no avesso. cabível na hora subterrânea da vida. por dentro. empalecem todas as penúltimas sílabas. e só as pálpebras secam. uma a uma. rápidamente desnecessárias.
[margarida]


...it's like me hidding from everyone.
[banda sonora | Kristofer Åström + a matter of seconds]
[margarida]

não tanto chegar, mas partir, é importante. viver lúcida. a voz impermeável e a luz apagada. exercício de palavras para dormir. não parti.
oh, that was so real.
[banda sonora | jeff buckley + so real]
[margarida]

in your eyes, i take my vacations
[banda sonora | ilya + soleil soleil]
[margarida]

algo em comum. uma e outra, sem sequer saber ou querer. como o frio quando dói por entre os dentes. quando o como. sem querer, o tempo. temos algo em comum. como o irrequieto movimento das pálpebras. como dormir, sem querer. como o medo das coisas grandes e dos contrários. gosto dos contrários do que digo que escrevo que gosto. porque assim não se sabe, sem querer, do que sou. algo em comum como não querer. sem saber do tempo. sem ter frio. muitas vezes, sem mexer as pálpebras.
[banda sonora | emily sparks + downtown cafe]
[margarida]

¿Que se hace? ¿como continuar? Porque yo voy de lleno voy y despues me encuentro con la intensidad y yo se, porque lo vivi es mejor ser leve ante la ansiedad. ¿Que te digo?¿como explicar? Que yo voy cambiandome porque hay mas de una razon para regalarme la tranquilidad. ¿Que se hace?¿como preguntar? porque yo voy soltandome y me voy quedando en la profundidad y despues cuesta comprender que no todos bajan y hay que regresar. ¿que se hace?...

'Presença frequente nestes concertos era a trupe de amigos do baixista José Pedro Moura, aos quais se juntava Tó Animal, aliás, António Cunha, o vocalista dos Um Zero Amarelo. Numa ocasião, estavam os Mão Morta em Coimbra - em cujas ruas, José Pedro Moura perdeu as calças (!) - para mais um concerto, quando Tó Animal, que andava descalço, se cortou profundamente num pé. O sangue não estancava e, já no hotel, alguém teve a brilhante ideia de encostar o Tó a uma parede do quarto, com os pés virados para cima. Quando o resto da comitiva entrou no aposento, no dia seguinte, o cenário era dantesco. Parecia que tinha ali acontecido uma carnificina, um massacre perpetrado por um qualquer serial killer. Furioso seria pouco para descrever a forma como o gerente do hotel ficou quando viu o quarto. Já em Aveiro, onde os Mão Morta iam ter outro concerto, o pé de Tó foi então cosido a sangue frio por um médico que parecia querer castigá-lo...'.
(in 'Narradores da Decadência', de Vítor Junqueira)

a madrugada é maior que eu. desordeiramente supera-me. supera os seis ou sete andares da minha arquitectónica ansiedade. põem-se enormes, soberbas, as madrugadas. sento-me aqui, na banheira. preferindo a fria solidão dos azuleijos. como se fosse o último dia do ano. escrevo que um dia não existiu um dia. a lápis.
[ banda sonora: ilya + soleil soleil ]
[margarida]

não é impossível decifrar o enigma dos dias. destapar o teu ombro e, na sua curva, a infindável haste da ternura. interrogo as horas na resina do teu peito. com as mãos dentro de água interrogo a ausência das tuas mãos. desvelo o teu rosto minuto a minuto. há o insuportável mover dos ponteiros. os relógios ensurdecedores e eu lembro-me do dedilhado da guitarra do teu peito. Da abóbada insonora do nosso beijo. a minha janela e a noite longe de ti e a solidão dos aeroportos. aprender, antes de tudo, a respirar, porque a noite tomará a cor da romã. e não será mais noite. porque estarei contigo.
[margarida]

um dia disse-lhe "eu não tenho medo. não tenho. mas dá-me a mão." durante todo o dia não encontrei os olhos da minha mãe. nem as mãos.
[ banda sonora | blonde redhead + messenger]
[margarida]

’lá embaixo ainda anda gente e uma cara conhecida vai abrindo no escuro uma luz como uma ferida. como a luz que corre atrás da corrida de um cometa. e vejo vales e valados no sopé de uma valeta. lá em baixo ainda anda gente e uma cara conhecida vai ateando noite fora um incêndio na avenida. toda a gente passou horas em que andou desencontrado como à espera do comboio na paragem do autocarro’.
[ banda sonora | sérgio godinho + lá em baixo ]
[margarida]

contesto a estrada e qualquer razão para partir. contesto a chuva e o grito e a necessidade de existir.
[ banda sonora | mão morta + primavera de destroços]
[margarida]

é inutil ter um nome. ter dor de garganta. ter uma cidade a chover. o que eu queria dizer era bem diferente. como às vezes a minha presença me fica como um prédio a ruir na avenida da liberdade. com as minhas manias e a enventual enxaqueca. e o que eu queria ser era bem diferente.
[ banda sonora | yann tiersen + ler jours tristes ]
[margarida]

eu grito nas ruas porque quero incomodar. e um erro a mais, às vezes, faz alguém olhar.
[pilar]
[margarida]

A nudez da palavra que te despe.
Que treme, esquiva.
Com os olhos dela te quero ver,
que te não vejo.
Boca na boca através de que boca
posso eu abrir-te e ver-te?
É meu receio que escreve e não o gosto
do sol de ver-te?
Todo o espaço dou ao espelho vivo
e do vazio te escuto.
Silêncio de vertigem, pausa, côncavo
de onde nasces, morres, brilhas, branca?
És palavra ou és corpo unido em nada?
É de mim que nasces ou do mundo solta?
Amorosa confusão, te perco e te acho,
à beira de nasceres tua boca toco
e o beijo é já perder-te.
António Ramos Rosa.

a manha ensina-me a dançar pelo algodão enrugado, inventando a pele, e a esperar sem descanso que escorra pelos dedos, ainda, o resto do silêncio que a noite veio plantar, pálpebra a pálbera. tenho um par de mãos. impálpaveis e imponderáveis. percebo-as distintas, cada qual com seus dedos, e ainda assim, incapazes de construir o gesto. lá fora, a respiração improvavel das coisas, de todas as coisas, lembra-me que nada está quieto. nada é parado a olhar a indisciplina das minhas mãos. amanhecerá, lá fora, mais um pouco, pálpebra a pálpebra, um pouco mais.
eu sou tua
[banda sonora: pilar + o tempo parou]
[margarida]

hoje: não.
hoje: não.
tempos houve
em que quis desaparecer
como água
dentro de água.
hoje: não.
hoje: não
desejo apenas que
o mundo esteja
em todos os instantes.
que as palavras, suspensas,
mergulhem nos dedos
onde a noite mora.
que ao deitar-me
esses mesmos dedos de silêncio
habitem os meus gestos.
hoje: não
hoje: não
dói-me a cabeça.
desejo apenas que os meus olhos,
também eles,
de qualquer maneira,
amanheçam.
hoje: não
hoje: não
(margarida)
(nova canção do cais de veludo)

doi-me a garganta. mas deve ser natural. e faz-me esquecer o medo das alturas. o medo de ficar fechada no elevador. o medo de morrer. o medo de engolir. e há o mar, lembro-me eu – na áspera praia rinofaríngea. mas não quero fazer, no fundo do copo, uma única gota de tempestade. será natural como o sorriso trapezista do (meu) amor. como se nem fosse preciso rede antes do perigo, porque os seus gestos são precisos. o (meu) amor tem o seu arame nestes olhares fixos. olho-o para lá do arame estendido e do equilíbrio precário das minhas mãos. mas olho-o e nos meus olhos há um peixe permiavel ao amor. que te observa, do seu olho grande de peixe, arregalado.
[margarida]


neste momento em que escrevo, percebo que não quero nunca decepcionar-te. confirmo sempre o número de dedos por mão. pés por perna. um cinzeiro e uma toalha. tenho a mania de desligar coisas. acordo a meio da noite para desliga-las ou confirma-las. com cuidado. um ritual inutil que me basta para me achar maestro desse horizonte habitacional. acho-me heroina, por isso, e não consigo dormir depois. não quero decepcionar-te nunca. olho o teu sorriso, adormecido, e tenho sono e mapas. gosto da tua beleza de harpa. beijo-te e o teu sorriso fica colado à minha boca. confirmo então, mais uma vez, o numero de dedos, de pés, de olhos, de isqueiros e de pestanas. confirmo o percurso da luz a nascer pela verdade obliqua da nossa cama e das nossas pernas. não quero decepcionar-te nunca. amo-te.
[margarida]
chamo-me margarida e explicaram-me, quando era pequena, que foi o meu irmão que escolheu o meu nome. nesta altura do ano cai-me, sempre, a pele da ponta dos dedos das mãos. chove, muitas vezes, na rua. não tenho tempo, mas principalmente habilidade, para guarda-chuvas. entro no meu dia-a-dia com a pele dos dedos enrugada de limpar a chuva da cara. gosto de andar na rua a olhar para os meus pés. estudar o balanço. pousar-me no equilíbrio de um passo. arriscar o salto nas poças. fechar as mãos dentro dos punhos da camisa. guardar o polegar dentro da mão. guardar as pontas do cabelo nas voltas do cachecol. limpar, com as mãos, a chuva da cara. cantarolar baixinho e ouvir o eco nos corredores, elevadores, casas-de-banho. sorrio no sucumbir do som. às vezes as árvores são obstáculos, como as portas e as paragens de autocarro. às vezes as nuvens fazem sombras enormes no chão. e depois vem a noite. eu escrevo tolices porque penso tolices. mudo por vezes de tolice num instante, e as pessoas ficam tão confusas quanto eu.
[margarida]

o aguaceiro, breve e inesperado, não é pior que a pesada e interminavel chuva. apressamos, então, os passos e abrigamo-nos nos beirais das portas. contudo, molhamo-nos sempre. saimos de casa preparados para a grande chuva. para o grande vento. apressamo-nos igualmente pelas ruas, abrigamo-nos em varandas e portas, pelos cantinhos das cidades. molhamo-nos sempre. preparados ou não. de igual maneira. e de igual maneira, não preciso de fazer sentido. de igual para igual.
[margarida]

no rain on us.
not this
time.
[banda sonora: club 8 + mornings]
[margarida]

je rêve d'un printemps
définitif.
[banda sonora: benjamin biolay + négatif]
[margarida]

There is love
There is love
To be found
In the worst way
In the worst way
In the worst way
It's the buzz
It's the buzz
It's the buzz
It's the buzz
It's the buzz
It's the buzz
I wish i was
It's the buzz
It's the buzz
It's the most fuzz
From a little shell at the bottom of the sea
With the earth and the moon and the sun above
But the world fell down with some people still around
There is love
There is love
To be found
With the gods all gone and the souls making sound
In the worst way
In the worst way
In the worst way
It's the buzz
It's the buzz
It's the buzz
It's the buzz
It's the buzz
I wish i was
It's the buzz
It's the buzz
It's the most fuzz
From a little shell at the bottom of the sea
With the earth and the moon and sun around me
There is love
There is love
There is love
It's the buzz
It's the buzz
It's the buzz
It's the buzz
It's the buzz
I wish i was
It's the buzz
It's the buzz
It's the buzz
[lisa germano + from a shell]

tacteio muito. estou sempre a cortar-me e a queimar-me. tenho a mania das coisas fechadas. as portas fechadas. as gavetas encaixadas. as canetas tapadas. os livros virados para baixo. o cabelo amarrado. as luzes apagadas. os guardanapos dobrados. os fósforos perfeitamente arrumados e guardados. os fechos dos vestidos corridos. colcheias, botões, tudo encaixado. as janelas tapadas. os pés calçados. o papel dos rebuçados perfeitamente enrolado.
[ banda sonora | azure ray + rise]
[margarida]

a minha casa é de água. onde escorro pelas paredes. precipito-me. pela casa de água, onde respiro.
(levo-a comigo). raramente uma frase começa com maúscula e acaba com ponto. raramente uso as portas
ou as janelas. sei de cor, no escuro, as nossas paredes. o nosso chão.
[margarida]

deixo os tiros para os mais corajosos. ponho-me de costas para o mar e oiço. e se é verdade que o nosso
corpo é o nosso templo, então tenho reclamações a fazer. quanto à quantidade de dedos em cada mão.
quanto ao peso da cabeça e a sua localização. insisto muitas vezes nas cores das memórias. insisto muitas
vezes em tudo. insisto. enquanto insistirem em inventar coisas, o dicionário nunca estará completo. antes
de inventarem a fotografia, não existia o verbo fotografar. existe, então, a palavra utopia. existo também.
esta casa é amarela e sempre que desligo as luzes sei que as paredes desaparecem e o chão fica pequenino.
a minha passagem pelo absurdo é o acordar de manha. a minha passagem pelo absurdo é tentar esconder
o quanto sou absurda. e a sede. a minha casa de água, onde deslizo pelas minhas próprias paredes. a
minha casa de água. que não se vê. ...quero ir para aí.
[margarida]

imensamente nos deitamos um no outro
e não mais nascemos para a mão escura
que tapa o sol e afoga a lua
estamos como se tudo estivesse connosco
e connosco estivessem os nomes que primeiro se deram
flor rio azul estrela terra.
vasco gato.

quando era pequena pousei um dedo no aquecedor por curiosidade e queimei-me. aprendi a não por os dedos nas barrinhas brilhantes do aquecedor. aprendi, mais tarde, que as coisas mais importantes estão sempre ao cimo de todas as escadas. aprendi a gostar de coisas pequenas e comecei a reparar que reparava nelas. aprendi que não gostava de muita coisa. aprendi que é importante saber dessas coisas. aprendi que não estava morta mesmo que fingisse estar, à noite na cama, quietinha, a tentar não mexer o peito ao respirar. aprendi a fazer laços num cordão, no eléctrico, com a mão do meu pai sobre as minhas, pequeninas. aprendi que chorar muito não faz com que não se chore mais. aprendi a observar as coisas e as pessoas. aprendi que não consigo ficar quieta. aprendi que me oiço sempre e que em todos os lugares acabo por me querer calar. aprendi que não gosto de bebidas doces. aprendi que importa muito mais o que os outros gostam ou não gostam. aprendi a jogar à bisca do três. aprendi a perguntar porquê e aprendi a estar calada. a maior parte das vezes não estou. aprendi que não cheguei nunca onde queria porque aprendi a desviar-me dos caminhos que queria seguir. aprendi a falhar, mas, sobretudo, aprendi a fazer por falhar antes de falhar sem querer. aprendi, também, que não sei fazer anos. nunca soube. aprendi que se pode encontrar alguém para nós. aprendi que há alguém que fica comigo, porque é para mim.
[margarida]

Pedro, lembrando Inês
Em quem pensar, agora, senão em ti? Tu, que me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a manhã da
minha noite. É verdade que te podia dizer: ”Como é mais fácil deixar que as coisas não mudem, sermos
o que sempre fomos, mudarmos apenas dentro de nós próprios? ”Mas ensinaste-me a sermos dois; e a
ser contigo aquilo que sou, até sermos um apenas no amor que nos une, contra a solidão que nos divide.
Mas é isto o amor: ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua voz que abre as fontes de todos os rios,
mesmo esse que mal corria quando por ele passámos, subindo a margem em que descobri o sentido de
irmos contra o tempo, para ganhar o tempo que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor, de chegar
antes de ti para te ver chegar: com a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água fresca que eu bebo,
com esta sede que não passa. Tu: a primavera luminosa da minha expectativa, a mais certa certeza de
que gosto de ti, como gostas de mim, até ao fundo do mundo que me deste.
Nuno Júdice

às vezes tenho espelhos em vez de janelas. às vezes parto os espelhos e abro as janelas. às vezes. não.
muitas vezes pergunto para que servem as janelas e muitas vezes pergunto para que servem os espelhos.
respiro tão bem quando tenho as tuas janelas em vez dos meus espelhos. apago a luz e fecho os olhos. tu
respondes-me sempre. e tu vês-me sempre. o espelho, não.
[margarida]

nada, não querer mais que nada - ninguém .

se o fogo queima, nós também .
rádio macau .

paso les hores muertes
mirando´l fumo.
La lluna, ella, sorríe
y yo me consumo.
Y ye la canción de la duermevela,
y ye la canción que na mio alma suena.

La base para adquirir una buena voz consiste en una eficaz respiración que facilite la mayor cantidad de
aire con el menor esfuerzo posible, en una inhalación rápida y silenciosa, una regulación efectiva del aire
empleado al exhalar y, finalmente, un mínimo de interferencia con el mecanismo que producen los tonos
en la garganta.

-amo com os dedos o silêncio que, por vezes, habitamos.
(margarida)

Relvejar: v. intr. cobrir-se de relva; arrelvar-se; reverdescer. (de relva)
[foto: vera marmelo]

Idiógino: adj. diz-se do vegetal que tem as flores femininas em pés próprios; que não tem estames e os pistilos na mesma flor. (gr. ídios+gyne)

eu posso gritar. gritar quando tudo está em silêncio. e as crianças levantam-se de noite e vão para as
ruas, e mil pássaros despenham-se contra o frio, e as estrelas abanam por cima de todas as águas, e
os dedos movem-se, furiosos, por todos os tampos de todas as mesas de madeira. e as bocas podem,
de repente, tocar o lume de todas as bocas e as águas frias podem transbordar de todas as banheiras
vazias. e a saliva e os pulsos e as pernas e as costas e os cabelos e a memória. e eu posso gritar. gritar
quando está tudo em silêncio, e eu posso desenhar o teu nome em todas as paredes e em todas as coisas.
-apaixonadamente. em todas as coisas. em todas as coisas. em todas as coisas. em todas as coisas... meu
amor.
[margarida]

aguar: (ág), v. tr. dissolver em água; tornar insípido por excesso de água; regar; pintar com aguada;refl. converter-se em água; fig. malograr-se; desejar ardentemente; sentir crescer água na boca (saliva) à vista de uma goluseima. (de água).

toujours à l'horizon
des soleils qui s'inclinent
comme on a pas le choix il nous reste le coeur
a ton étoile
a ton étoile
a ton étoile
[banda sonora | noir desir + a ton étoile]

hoje voltaram a doer-me as costas. ando sempre com demasiado peso e ando sempre demasiado. às vezes não reparo. uma vez dei conta da minha mão a apertar tanto a tua num determinado momento da música que me cantavas. um outro dia no metro, amarrotei o vestido todo, com o tecido apertado na mão toda fechada. como se tivesse acordado, sacudi a saia e levantei-me para sair. olhei-me pelo reflexo da porta àquela velocidade e pensei no quanto tudo é efémero e rápido e. olhei o vestido pelo reflexo e lá estava o tecido todo amarrotado. senti que ao menos isso era verdadeiro. assim como a verdade da minha mão fechada na tua. assim como a vontade.
[margarida]
quand il me prend dans ses bras. il me parle tout bas, je vois la vie en rose. il me dit des mots d’amour,
des mots de tous les jours, et ca me fait quelque chose. il est entre dans mon coeur. une part de bonheur
dont je connais la cause. c’est lui pour moi. moi pour lui dans la vie, il me l’a dit, l’a jure pour la vie.
Et des que je l’apercois alors je sens en moi mon coeur qui bat. des nuits d’amour a ne plus en finir, un
grand bonheur qui prend sa place des nuis des chagrins, des phases heureux, heureux a en mourir. quand
il me prend dans ses bras il me parle tout bas, je vois la vie en rose. il me dit des mots d’amour, des
mots de tous les jours, et ca me fait quelque chose. il est entre dans mon coeur une part de bonheur dont
je connais la cause. c’est toi pour moi. moi pour toi dans la vie, il me l’a dit, l’a jure pour la vie. et des
que je l’apercois alors je sens en moi mon coeur qui bat.
edith piaf.

eu deito-me tarde e nem sempre acordo muito cedo. nunca digo boa noite quando entro em casa.
preocupo-me com o meu caminho e com o que me tornarei. gostava de ser uma pessoa bem melhor.
gosto muito de música e faz-me chorar muito muitas vezes. estou sempre a cortar-me em facas ou mesmo
em bocados de papel. gosto de andar descalsa. às vezes paro e penso que estou a andar aos círculos. às
vezes paro e pergunto porquê.
[margarida]

bebíamos cerveza y le pedíamos a Dios una chica bonita.
ray loriga.

foi fogo que nos encontrou sozinhos
queimou a noite em volta
presos entre chama à solta
presos feitos para soltar
foi como um sopro estranho,
aconteceu .
és fogo em mim, és noite em mim .
toranja .

há uma janela no rio. há um monte a tapar . há vento que entra frio . e tu a olhar ...
noite é querer, é poder, é chorar em teus braços.
teus olhos, teus traços. teus lábios, meus passos.
em ti eu acabo
meu fado, é o teu fado, meu fado, é teu fado, meu fado, é o teu fado
toranja .

há palavras que nos beijam
como se tivessem boca,
palavras de amor, de esperança,
de imenso amor, de esperança louca.
palavras nuas que beijas
quando a noite perde o rosto,
palavras que se recusam
aos muros do teu desgosto.
de repente coloridas
entre palavras sem cor,
esperadas, inesperadas
como a poesia ou o amor.
(o nome de quem se ama
letra a letra revelado
no mármore distraído,
no papel abandonado)
palavras que nos transportam
aonde a noite é mais forte,
ao silêncio dos amantes.
Alexandre O'Neill
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cada vez anoitece mais cedo .
asylum mastered the world . through the window he's cutting the coal . madness, the kids in a song . to touch the naked soul . confusion erupts again . they bleed their own hands . the silence lives in ashtrays . all bodies are made out of clay . oh, you vicious liars ...
kafka .

os meus dedos movem-se e as palavra pequeninas escrevem-me... e o papel aceita tudo, mas as minhas mãos não.
[margarida]
and i cuddle up and closed my eyes. cause i like to sleep and dream. and my dreams are as real as your
reality. i’m not afraid. to leave awake. an actual existence. i look at the white walls. the black guitar.
and blue morning. i writte some lyrics to a song. that may never be eard. and as i see you in my bracelet.
and feel the warmth of my pilow. and blanket.i know... This world can do me no harm. i’m up and sail
the morning. my feet are rested to a path that leads to where you’re not. my memory is beging me to
hold on to the memories of what was. i like to be with my memories among here. and i cuddle up and
closed my eyes. cause i like to sleep and dream. and my dreams are as real as your reality. i’m not afraid.
to leave awake. a natural existence. another black night in my room. there’s no birds singing down in
me. i’m still lazy. and tired. and mad at the world. and i look at the window quite sleepy. and i know...
this world ends soon. i look at the gray road and the people that pass.
and continue to writte some lyrics. to a song that i hope no one will ear. and as i feel you arround my
pulse. and proceed the silence in the cold of the nigh. i know... this world can do me no harm. and i
cuddle up and closed my eyes. cause i like to sleep and dream. and my dreams are as real as your reality.
i’m not afraid. to leave awake. an actual existence.
[old jerusalem + sleep and dream]

todos colocaríamos os nossos receios nos nossos poemas. absolutamente vulgares. sinto-me em casa contigo. desmaquilho-me no reflexo duplicado do sonho. os dedos sujos do vermelho. o lábio a pintar os dedos. sinto falta da tal respiração curta que me dá prazer. perto. tenho as mãos pequenas e gosto do mar dos teus cabelos. da força com que apertas a minha mão. e eu vou contigo. vou contigo. sim.
Queres lutar com quem? Para doer aonde? Para ser o quê? Achas que ninguém vê?(...) Também eu queria parar... chorar... cair... para me levantar, para te puxar! Te fazer sorrir... não voltar a cair! [Toranja]
[banda sonora |toranja + cada vez mais aqui]
[margarida]

afinal de contas sei de cor onde está cada parede, cada cadeira, cada janela. não dormi de cansaço. e de desejo.
[banda sonora |songs:ohia + hold on magnolia]
[margarida]

a minha letra anda horrível. encosto-a com força contra o papel. chego a pensar em encontrar-te na rua. chego a ver-te quando olho fixamente para o espelho. tenho-me deitado na banheira e dormido horas dentro do escuro e dentro da água quente. penso na minha estúpida mania de expor sempre o meu estúpido ponto de vista. durmo horas. antes abro os cortinados e deixo o medo entrar. depois fecho os cortinados e fecho os olhos. e quando fecho os olhos, os cortinados ardem. os meus olhos ardem com eles. tenho sono e medo e mapas. sei onde encontrar os teus passos. roubo o teu sorriso e coloco-o na minha boca. é nesse momento que uma parte do mundo congela. e eu pego fogo. desequilibro-me. recomponho-me. sonho. sonho. sonho-te.
[banda sonora |nitin sawhney + letting go]
[margarida]

i can't wait to get home to your precious phone call. i saved your voice on the answering machine. to listen to before i sleep. [Kristofer Åström]
[margarida]

noite. tempestade. vou dormir. cala-me a saudade. sorri.
tiago torres da silva por pilar.

noite. tempestade. vou dormir. cala-me a saudade. sorri. [pilar - o cair da noite]
[margarida]

espero um momento na sombra da rua. oiço uma voz que me lembra a tua. [mesa]
[margarida]

y nuestro placer no sea más que una absurda ficción (afección) voy a quemar (cerrar) este círculo voy a matar este ser de sal ser de sal

...drinking whiskey for no reason, because I heard in a song, that's what you do when things go wrong.
[banda sonora | aroah + drinking whiskey]
[margarida]

y nos iremos a dormir y estaré
feliz de que al menos te tendré aquí y seguiré despierto

You didn't care when I begged you to stay
Why don't you smile now?
You laughed at me when you walked away
Why don't you smile now?
Why don't you smile, yeah
Smile, ohh
Smile, yeah
Smile, ohh
Why don't you smile now?
You said he could give you much more than me
Why don't you smile now?
You said he could give you everything you need
Why don't you smile now?
Secret dress and highheeled shoes
But baby all you got was blues
Why don't you smile now?
But now you're back, you want back in
Well baby you just watch me grin
Why don't you smile now?

Away from the big city
Where a man can not be free
Of all of the evils of this town
And of himself, and those around
Oh, and I guess that I just don't know
Oh, and I guess that I just don't know
velvet underground por human drama .
estamos sós com a noite
para salvar
um coração.
josé tolentino mendonça.

porta a porta quero entrar
e sei que vou
sem usar nenhuma roupa
que a moda cansou
ando sem andar
e perco-me a cantar
não quero saber
tenho alma só pra
ser
e não quero saber
vem comigo
seguindo a gente
que ninguém quer saber
tiago torres da silva.

sei que te vou reconhecer
rosto perdido na multidão

sei nesse instante também hás-de me ver
na tua mão
tiago torres da silva.
hoje acordaste de uma forma diferente dos outros dias
sentes-te estranho
tens as mãos húmidas e frias
tentas lembrar-te de algum pesadelo
mas o esforço é em vão
parece-te ouvir passos dentro de casa
mas não sabes de quem são
deixas o quarto
e vais à sala espreitar atras do sofa
mas aí tu já suspeitas que os fantasmas não estão lá
vais à janela e ao olhares para fora
sentes que perdeste o teu centro
e de repente descobres
que chegou a hora de olhares para dentro
porque há qualquer coisa que não bate certo
qualquer coisa que deixaste para trás em aberto
qualquer coisa que te impede de te veres ao espelho nu
e não podes deixar de sentir que o culpado és tu
vês o teu nome escrito num envelope
que rasgas nervosamente
tu já tinhas lido essa carta antecipadamente
e os teus olhos ignoram as letras
e fixam as entrelinhas
e exclamas: "mas afinal... estas palavras são minhas!"
o caminho para trás está vedado
e tens um muro à tua frente
e quando olhas pros lados vês a mobília indiferente
e abandonas essa casa
onde sentiste o chão a fugir
arquitectas outra morada,
mas sabes que estás a mentir
porque há qualquer coisa que não bate certo
qualquer coisa que deixaste para trás em aberto
qualquer coisa que te impede de te veres ao espelho nu
e não podes deixar de sentir que o culpado és tu
e não podes deixar de sentir que o culpado és tu
[jorge palma . balada de um estranho]

desfoca-me . eu também te faço o mesmo . devagar . nao te esqueças de desligar a luz . sem ruído . não, não procures o próximo parágrafo . apagou-se . da minha memória .
sentidos despertos . a luz leve . serena . doce . uma cadeira . roupas . janela e pequenas luzes . frio . arrepio . circulos sobre papel . barulho de cigarras . cigarros suaves . pro~~fundo . voz de morango . sem bocejo . uma flor . dois botoes . adormecer nas folhas .
o sentido ?
uno .
aqui .

segredo amplia nuvem pó tormento esquece floresta tumulto o sul aqui ali pouco nada mais esquece próximo não não sei silêncio água talvez fumo mão o amor no escuro o amor o amor nas mãos sonho
lupa?

um golpe de sonhos
nos dedos entrelaçados
pela brisa húmida
que entardece os corpos
na neblina segredada
da nossa noite.
inspiro.
respiras.
uma luz . o silêncio .
tatuamo-nos
sobre uma cerca de arame farpado.

ouvem-se passos a percorrem laminas
perpendiculares ao medo e a luz alva
que arrasta a clandestinidade inadiavel do ser
um precipicio atestado por memorias desejadas
como petalas de sonho no limiar de cumplicidades
o delinquente que observo num ponto invisivel
que reflecte a ressaca empilhada
na mascara amarelecida
instante escrito, percurso rabiscado,
desvario de azuis, jornais antigos
e digo-te nos olhos:
- estou tao cansado como tu.
- estou tao cansado como tu.

adormeço com a tua voz em diagonal sobre a nossa música . os nossos dias repousam na paz das páginas do caderno sobre a tua almofada . ali . no quilómetro cento e três dos nossos corações . ainda há estrelas no teu olhar .
as batidas mais fortes ao cair da noite . sonhos embriagados nos lençóis de seda . saudades cantadas em pedaços de ti . o coração que te espera sobre o peito nú . a inconfessável leveza das pequenas coisas . o teu respirar . o meu sussurrar .
sinuosas são as linhas que nos passam pelos lábios são os beijos que nos deram sao cabelos tão propostos .
os nossos silêncios trémulos .

agarro-te nas palavras e no vento . as mãos dadas sobre a chuva miudinha . os cabelos molhados . o desejo abraçado nos murmúrios subtis . tu voas e eu não te resisto.
vamos desistir os dois?

flutuações tergiversantes buscando o silêncio e a lassidez de um círculo colorido e mágico averso à rotina atordoante. no seu indelével vestígio, colho a pergunta que há muito tempo te quero fazer: ....
....que tal um pôr do sol hirto, no amanhecer das pálpebras descontentes e no reflexo infindável das nossas íris luminosas e imutáveis?

fragmento de um poema sem cor. entre o sonho e o abismo. sombras de primavera em fevereiro. páginas e páginas rasgadas. reflexos e visões essenciais. sono abraça o som. disco ama o livro. é tempo de nascerem sonhos azuis turquesa.
o tempo não pára.

[psicanálisEmedo]
Todos os olhos que se fazem noites/gotejam ofuscantes/ao cair revelam sonhos açoites/de mãos arfantes/Os Animaissonhos, intestinais/adrenalizando o medo/lançam-se em caçadas tais/que da noite a noite se fez cedo/E o Inconsciente aí dormia,/no dorso dos Animais,/quando dele se fez dia/e em ti a noite luziu mais.
medo.

fade out again .
onde estás tu, mamã?
ponte da barca . 1961

o baile - dança alva luz .
onde estás tu, mamã?
ponte da barca . 1961

um sorriso mergulhado na tempestade ou no livro dos (nossos) dias. uma legião urbana de sensações depressivas abafadas pelo sorriso de uma criança. e.. humm... strawberry fields forever... tout les sourires sont des poémes....
setembro de 1995.

toujour les fleurs e o mundo - o mundo ainda era um grande jardim.
vila do conde . 13.09.1978

de regresso às memórias da infância: o meu bisavô, eu e o zeca.
vila do conde . 1977

olhar para trás, recordar a infância e os sentidos nas saudades das pegadas na areia da minha praia.
vila do conde, 1981

o grau zero da escrita; o degrau zero dos meus passos. cambaleio aos poucos. é sinuoso o caminho. o silêncio consome-me. devagarinho. até ao porto em que as linhas cruzam-se, tocam-se e confundem-se. zero-te.

respirar a tempestade. olhar perdido. furar o âmago.vrio poluído. céu em chamas. cidade sempre adormecida. grito? são todos surdos, menos eu. para quê gritar? antes um olhar sério e ígneo sobre o ser não sendo.
realidade nua, crua e bruta. continuaremos a lutar no outro lado da luta.

o que os une? o tango. um dança. o outro já dançou. e o caminho? fica para depois. o velho lobo, hoje sem mar, avisa: "dorme, menino, dorme.. o medo está ali ao fundo, mascarado de mulher, quando o baile terminar".
obrigado ao velho mestre. ele dizia que não ia ficar bem na foto. nós não achámos o mesmo. parece que temos razão. pelo menos uma vez na vida...

agonia. solidão vespertina. visão limitada. muro gelado. linhas turvas. imaginação ilimitada. paraísos escondidos. lágrimas digeridas. vozes brancas. saxofone tresloucado. atitude, atitude, atitude.
não me apetece fugir. não me apetece sorrir. não me apetece tapar a cabeça. não me apetece falar. não me apetece gritar. quero ficar quieto e sonhar com o espaço por detrás do muro das lamentações...

sessenta e nove pensamentos perversos flutuam por espaços humidamente libidinosos. os olhos escorregam para paisagens despidas e embriagadas, enriquecidas pelo aroma de um inflamável perfume francês...
seis linhas castradoras. ficou tanto por dizer. o iogurte era bom, diz quem o provou. sessenta e nove colheradas, claro. e magnetic fields, como pano de fundo, infelizmente intransmíssivel. ou será que não?